sexta-feira, 20 de abril de 2012

Corrigindo alguns erros de interpretação bíblica


Haja vista a utilização da Bíblia por muitas religiões, como também por várias - senão todas - denominações evangélicas, as Escrituras vêm “sofrendo” bastante nas mãos de pessoas desprovidas do verdadeiro discernimento espiritual - virtude essencial à sadia interpretação das Escrituras (1 Co 2.10-12). Além dessas pessoas, existem outras que, propositalmente, modificam o que de fato a Bíblia diz: “...os indoutos e inconstantes torcem... para sua própria perdição” (2 Pe 3.16).

Para entendermos com mais clareza alguns erros doutrinários e algumas "práticas cristãs” inconsistentes, decidimos abordar, por meio desta postagem, pelo menos algumas dessas incorreções. 

O erro da angelolatria ou adoração aos anjos. Em algumas "igrejas" evangélicas, tem havido distorções do santo Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. Ali, inventar mentiras que não convêm é parâmentro: "... metendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão" (Cl 2.18). Na verdade, para os seus "líderes", o que vale mesmo é dar vazão aos desvarios da carne , e não à orientação do Espírito Santo (Rm 8.5). De acordo com a Bíblia, a veneração de anjos é pecado (Ap 19.10; 22.8, 9).

A despeito de a proibição quanto à adoração de seres angelicais ser uma verdade bíblica, o "Anjo do Senhor" ou o "príncipe do exército do SENHOR", conforme está escrito nas sacrossantas páginas, reivindica adoração, pois o nome de Deus está nEle (Gn 16.7; 48.16; Ex 23.20, 21, 23; 32.34; Js 5.13-15). 

O erro da banalização do dom de profecia. Hoje, em muitas igrejas, sobretudo nas pentecostais, o que mais se ouve é a expressão "Profetize para o seu irmão", "Eu profetizo na tua vida", "Profetizeeeeee!", entre outras. Mas, será que isso tem base bíblica? Não! Segundo as Escrituras, esse gracioso dom não pode ser usado a torto e a direito por quem quer que seja: "... a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil. Mas um só e o mesmo Espírito opera... repartindo particularmente a cada um como quer" (1 Co 12.7, 11, grifo meu). Já está mais do que na hora de esses profetizadores se arrependerem dessa prática antibíblica, você não acha? Veja o que é diz 1 Coríntios 14.3: "Mas o que profetiza fala aos homens para edificação, exortação e consolação".

Muitos desavisados pensam que Elias profetizou para Acabe independentemete da vontade de Deus (1 Rs 17.1). Mas como a Bíblia não se contradiz, Tiago 5.17, 18 explica-nos o que realmente aconteceu: 

"E Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós e, orando, pediu que não chovesse, e, por três anos e seis meses, não choveu sobre a terra. E orou outra vez, e o céu deu chuva, e a terra produziu o seu fruto". 

Quero deixar bem claro de que creio na realidade do dom profético (1 Co 12, 14), mas não em manifestações cujas fontes são puramente humanas ou carnais (Cl 2.18). Muitas vezes, homens e mulheres usam-se ou são usados por influências não divinas: 

"Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência" (1 Tm 4.1, 2). 

O erro da determinação, no sentido de "mandar" ou "exigir", por parte do homem. O homem, segundo as Escrituras registram, é pó e cinza (Gn 3.19; 18.27). Davi interrogando a Deus, disse: "Que é o homem mortal para que te lembres dele? E o filho do homem, para que o visites?" (Sl 8.4). Bildade, ao falar da majestade e da pureza do Senhor e fazer uma comparação entre os astros e o ser humano, diz acerca deste: "Olha, até a lua não resplandece, e as estrelas não são puras aos teus [de Deus] olhos. E quanto menos o homem, que é um verme, e o filho do homem, que é um bicho!" (Jó 25.6). 

De acordo com o que Jesus ensinou, o crente deve, ao comparecer diante de Deus em oração (Hb 10.19-22), "pedir" em Seu nome (Jo 14.13-15; 15.16; Ef 2.18; 3.11, 12), e não "exigir" do Pai o que quiser (Mt 7.7, 8). Querer "mandar" no Todo-poderoso (Gn 17.1) é de um desplante sem medida! "Quem é como o SENHOR, o nosso Deus, que habita nas alturas; que se curva para ver o que está nos céus e na terra" (Sl 113.5, 6). 

O erro da afrontação ao Diabo. Frases, no mínimo, descabidas são proferidas durante algumas pregações: "Pisa na cabeça do Diado!", "Dá um tapa na cara do Diabo!", Satanás, tu és um pobretão, não tens nem onde cair morto, és um coitado!" Estas provocações que, infelizmente não pouca gente gosta de ouvir, não edificam ninguém. Veja o que diz Judas 9: 

"Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda". 

O erro ou a prática de tratar a Bíblia como um livro mágico ou como um talismã. Não são poucas as pessoas que comparam as Escrituras a um amuleto. Esses crentes, não raras vezes, abrem-nas abruptamente, esperando uma resposta de Deus que lhes agrade. Na verdade, penso que não gostam de ler a Bíblia sistematicamente, pois se assim o fizessem, largariam essa espirituosa prática.

Certa feita, quando alguns irmãos e eu visitávamos uma irmã, que estava enferma, um deles fechou os olhos e, como que esperando sair da Bíblia um gênio da lâmpada, a abriu... Imaginai em que texto "caiu"... Em Ezequiel 32.24, 25: 

"Ali está Elão com toda a sua multidão, em redor do seu sepulcro; todos eles foram traspassados e caíram a espada... eles desceram... às mais baixas partes da terra dos viventes e levaram a sua vergonha com os que desceram à cova. No meio dos traspassados, lhe puseram uma cama entre toda a sua multidão; ao redor dele estão os seus sepulcros... levaram a sua vergonha com os que desceram à cova; no meio dos traspassados foi posto". 

Nesse momento, por favor, estimule a sua imaginação e veja como ficou o rosto daquela irmã que recebeu essa "mensagem de Deus" (de Deus?).

Diante de tudo que foi exposto, tomemos muito cuidado com o que lemos, ouvimos, praticamos e, sem dúvida, com o que falamos.
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ZIBORDI, Ciro Sanches. Erros que os Pregadores Devem Evitar. 7. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

PEARLMAN, Myer. Conhecendo as Doutrinas da Bíblia. São Paulo: Editora Vida, 2006.

BRAGA, James. Como Preparar Mensagens Bíblicas. 2. ed. São Paulo: Editora Vida, 2005.

GRIDER, J. Kenneth. Comentário Bíblico Beacon. 3. ed. Vol. IV (Isaías a Daniel). Rio de Janeiro: CPAD, 2009. 


3 comentários:

sintia disse...

Que edificantes são esses ensinos! que Deus continue abençoando seu ministério.

sintia disse...

Edificantes são esses ensinamentos! Que Deus abençoe seu ministério!

JONE disse...

As pessoas deveriam ler mais, para sua própria edificação; muito bom este seu texto.